Uidjeti
Não sei o que vocês pensam, mas acho que o estrangeirismo em nossa língua pátria está chegando a níveis insustentáveis. Não sou simpatizante do deputado Aldo Rebelo, seu projeto de lei não compactua exatamente com meu pensamento e, definitivamente, abomino o “C” de seu partido, mas tenho que dar o braço a torcer que precisamos falar mais o português. Apesar disso não se conseguir por decreto.
Agora que resolvi publicar meus textos na internet, penei um bocado para baixar um “software” que emulasse um “blog”, com um “skin” amigável. Depois de passar horas configurando o dito cujo, para execução das funções mais simples – já que sou um “newbie” -, recebo uma dica de um amigo – também publicador de textos próprios, de um “link” ali embaixo, à direita – para definir um novo “widget”.
Peraí.
Tenho um diploma, no fundo de alguma gaveta, que diz, há quase 15 anos, que tenho o inglês como minha segunda língua. Mesmo longe de ser um bom conhecedor do vocabulário da linguagem da Rainha, tenho absoluta convicção que nunca em minha vida li ou escutei esse verbete. Quanto mais saber seu significado.
Larga o “site” prá lá, deixa tudo como está, com o “layout” semi-acabado mesmo e com erro na moderação dos comentários. Ainda não sei como ele se comportará em outros “gadgets”, não testei o “feeder”, penso num “adsense”, mas não tenho certeza, afinal sou um “funblogger”.
Interrompo tudo, porque tenho uma reunião de trabalho. Só não fico livre dos estrangeirismos, já que o mundo dos negócios, ávidos pelos dólares e megalomania americanos, cultua os termos vindos do norte do continente.
Com os interlocutores instalados, fui obrigado a ouvir, em menos de 15 minutos de conversa, vários “breakeven”, “feedback”, “kick off” e “deadline”, além de outras centenas de verbetes americanizados. O lema dessa companhia, por sinal, havia mudado recentemente para “every relation matters”, assim mesmo, em inglês, “para dar mais força”, foi a explicação de um de seus diretores. Ah, vão pentear macaco! (Ou “kiss my ass”, se preferirem)
PS: a não ser num texto manuscrito ou datilografado (isto ainda existe?) o PS não faz nenhum sentido, mas eu adoro peésses e uso com frequência;
PPS: aprendi, certa vez, que o correto para mais de um “post scriptum” é o seqüenciamento de P’s antes do S. Tal como cá;
PPPS: “kiss my ass” é uma expressão que, traduzida literalmente, dá uma denotação ridícula;
PPPPS: uma vez que o comportamento deste site é de um blog – apesar de minha contrariedade em assumi-lo como tal – poderia ser chamado, em inglês, de blogger. Daí me ocorre uma dúvida cruel: um “problogger” seria um blogueiro mais experimentado, que já passou da primeira fase?
Gui Olivieri
07/03/2008
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