Prazer, Luis Fernando
Hoje vocês hão de me dar passagem, porque estou enjoado. Não enjoado no sentido de nauseado ou doente, mas estou enjoado de tão convencido. Se usualmente sou acusado – injustamente, frise-se! – de ter o nariz empinado, agora estou insuportável. E com I maiúsculo.
E isto deu-se por conta de um HOAX, que é primo do SPAM.
Tia Cidinha abriu um precedente em minha caixa postal, dos contatos que lembram-se de mim diariamente. Não havia um só dia que não recebia alguma mensagem dela; por vezes, várias em um único dia. Qualquer simpatia, fotos de neném, vídeo de gatinhos, campanhas filantrópicas, alertas de novos vírus, encaminhe este e-mail e doe um centavo, oração ou piadas eram motivos para ela me incluir em seus destinatários de encaminhamento da mensagem. A recorrência me intrigava: será que ela se lembrava de mim sempre (devia ser um sem personalidade, onde qualquer assunto me cabia) ou nunca (ela mandava tudo para todos)?
Depois que ela se foi, alguns outros parentes e amigos têm se esforçado para substituí-la na função de me deixar a par de tudo, e continuo recebendo diariamente uma série de mensagens que não me dizem respeito. E as recebo em profusão.
Recebi uma dessas mensagens hoje, então. Trata-se de uma crônica, de autoria atribuída a Luis Fernando Veríssimo. Quem já leu meia página deste fantástico escritor gaúcho, sabe que o texto em questão não tem nada de sua sagacidade e ritmo. Ele rejeitaria imediatamente a falsa-autoria, tenho certeza.
Acontece que o autor da crônica que recebi... sou eu!
Alguma criatura nesse mundão de meu Deus viu um escrito meu – que não está nem entre meus preferidos - e achou de espalhá-lo, sob falsa autoria de um dos maiores escritores contemporâneos brasileiros. É ou não é motivo para meu enjoamento? Deem-me licença, porque sou ghost writer do LFV.
Agora só preciso aprender a tocar sax e vender livros como o grande Veríssimo. Só.
Gui Olivieri
25/01/2012
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07.02.12 08:25:47, 