Eu sou homem!
Não sei quem foi que definiu esses papéis históricos para homens e mulheres, mas, definitivamente, eu ando precisando de um pouco de auto-afirmação.
É bem verdade que ontem exerci dois, clássicos:
1) fui requisitado a destarrachar a tampa de uma embalagem de leite – que, cá entre nós, tinha cola entranhada na alma e gastei bons minutos e 2 camadas de pele do dedão e indicador, mas abri-a, com um breve resquício de dignidade;
2) desempenhei algumas tarefas típicas de um bombeiro hidráulico. Inútil dizer que não resolvi o problema, depois de mais de uma hora de pé em cima da pia da cozinha, metade da casa inundada e suja e a quina do armário devidamente estampada em meu couro cabeludo. Busquei alguns adjetivos que me definissem, após essa epopéia, mas basta dizer que eu não era o sujeito mais feliz do mundo.
Estes dois exemplos já me denunciariam o suficiente, mas não há nada que não possa piorar. Hoje, saindo da academia, fui requisitado por uma senhorita a fazer uma chupeta (sem maldades, crianças), porque o carro dela havia arriado a bateria.
Eu, quase um lorde inglês, prontamente atendi a seu pedido e posicionei meu possante de forma a atender sua solicitação. Ela, prevenida que só, sacou o cabo do seu porta-malas para executar a função.
Aí começou meu suplício. Gastei bem uns 2 minutos para achar a alavanca de abertura da tampa do capô. O carro não é mais tão novo assim, mas nunca tinha precisado disso; mesmo porquê, toda manutenção, revisão ou assistência mínima nos carros da empresa são tarefa de um funcionário. E nunca tive curiosidade de ver o motor do carro.
Tentei disfarçar minha pequena vitória pelo motor agora exposto, quando fui solenemente desmascarado pela moçoila. Onde, diabos, fica a bateria deste carro?
Ela não conteve o riso, me afastou sem cerimônia e fez todo o serviço, solicitando minha intervenção apenas no que eu seria indispensável.
Seria apenas uma situação que arranharia o ego, não fosse o efeito colateral. No processo de abertura do capô, tirei o volante do lugar e não consigo ajeitá-lo, de forma que ele pressiona minhas coxas quando me sento para dirigir.
Benhê, me ajuda aqui!
Gui Olivieri
30/01/2008
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