De quando é esta foto?
Esta aconteceu comigo nesta semana. Uma amiga desenterrou uma foto do fundo do baú e publicou em seu perfil. Identificadas as figuras que lá aparecem, comentários gerais sobre as circunstâncias e feições, surge então a pergunta fatídica: de quando é esta foto?
Para quem já nasceu no mundo digital é bastante fácil responder à pergunta-título. Um rótulo da imagem, uma propriedade do arquivo ou até, quando seu dono é mais organizado, o nome do registro guarda a informação da data.
Entretanto, quando os amigos que constam naquela imagem já são companhias suas há mais de 15 anos, a resposta passa, necessariamente, por métodos menos ortodoxos de identificação do período: uns tiram a data pelas roupas usadas, outros partem para analisar as companhias – ou falta delas - e alguns analisam os locais ou outros detalhes apresentados no registro. Eu vejo meu cabelo.
Pela minha configuração capilar sei dizer, com margem de erro de poucas semanas, qual foi a data da fotografia. Até meus 18 anos, sempre tive um cabelo partido no meio, que formava um bigode acima da testa; feio de doer. Até aí, eu era criança ou moleque, fazendo pouca diferença um detalhamento maior que este.
Se em “Eduardo e Mônica” o Eduardo deixou o cabelo crescer pouco antes de passar no vestibular, eu parti para o caminho inverso e investi no corte raspado. Qualquer barbearia faz o trabalho com a mesma competência do mais renomado salão e o preço faz toda a diferença para um universitário duro. Além do mais, o corte é extremamente prático, uma vez que eu poderia acordar 5 minutos antes da hora de sair de casa: era só jogar uma água no rosto, escovar os dentes, vestir uma bermuda, camiseta e chinelos e sair carregando um pão e caderno. Economias e praticidades à parte, a minha maior motivação foi genética; com o desaparecimento continuado dos meus fios de cabelo, iniciado aos 17 anos, decidi que a saída mais honrosa seria assumir de vez a minha condição de careca.
Ainda assim, sempre raspando a cabeça, é fácil identificar a época da foto. A primeira razão é porque iniciei este processo com a máquina número quatro. De tempos em tempos julgava que era hora de reduzir a padronagem dos fios e diminuía a gradação da máquina.
Outra razão determinante era a frequência das idas ao barbeiro. No princípio, submetia-me ao corte a cada 15, 20 dias. O resultado é que, com a proximidade com o retorno ao salão (bondade minha chamar o Onofre – meu preferido – de salão), eu já estava com uma juba disforme. Após vários meses de Onofre, resolvi investir minhas economias numa máquina própria, que me garantiu iniciativas com intervalos menores (não sem pequenas automutilações no período de aprendizagem).
Outra diferenciação é que, nem sempre, usei o cabelo todo raspado de forma igual, e não me orgulho em expor esta fraqueza. Até aquele corte-pagodeiro, com um topetinho saliente metodicamente ajeitado para cima, eu experimentei (caso não se lembre do estilo, imagine o topete clássico do Elvis Presley após uma trombada de frente com uma parede. O resultado é semelhante ao que você pensou).
O único problema é que, na fotografia em questão, eu estava de boné. Aí, minha metodologia não adianta de nada e preciso recorrer a algum colega, que detenha um modelo de identificação diferente.
De uns poucos anos pra cá adotei outra modalidade de corte, que faz cair por terra minha tática: tenho raspado zerado, com Gilette mesmo. Dia sim, dia não, tomo meu banho e, no box, faço barba, cabelo e bigode, pacote completo. Minha salvação, para o problema de identificação das fotos, é que este estilo foi tomado após o uso indiscriminado das máquinas fotográficas digitais, e tenho a obstinação de renomear todos os arquivos com um padrão de nomes que me informa, entre outras coisas, a data exata do registro.
Entretanto, reconheço entristecido que teria um bom método alternativo de datação de fotos, caso precisasse: em média, nos últimos anos, tenho adquirido um quilo à minha estrutura a cada 12 meses, ficando cada vez mais rechonchudo. Constato que tenho, hoje, exatos 15 quilos a mais que em 1994, quando me matriculei na Universidade. Não que aquele frango esquálido de mais de 16 anos atrás fosse um bom parâmetro, mas minha silhueta hoje deixa muito a desejar.
Careca e gordinho... falta só ficar banguela para ter os principais atributos do Miguel, meu afilhado fofo, que, a propósito, fez um aninho hoje.
Gui Olivieri
05/04/2011
130 comments
Guilherme, tenho um primo que de vez em quando solta uma pérola como esta: "Quando eu era neném eu era careca e barrigudo e todos me achavam lindo. Porque hoje é diferente se mantenho as mesmas características???"
Abração.
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05.04.11 21:55:07, 