Creme de cebola...
Creme de cebola com queijo bechamel derretido e croutons (ou seria melhor o tonto e a bruta?)
De que adianta mais de 6 meses de preparação e organização se, no dia da viagem, São Pedro resolve que a maior cidade do país vai receber um belo punhado de água?
De que adianta tanto dinheiro investido, governos, prefeituras e servidores se os Quércias, Malufes, Erundinas, Suplicys, Serras, Kassabes ou Pittas não dão conta de encarar São Pedro?
O resultado foi o caos em São Paulo e os dois aeroportos que servem à cidade fechados na maior parte do dia, cascateando a bagunça aérea para o resto do país. Sorte nossa que sairíamos de viagem pelo RJ? Em parte. O avião que nos levaria à cidade maravilhosa viria de Congonhas... começamos o dia com 2 horas de atraso. Menos mal que voos para São Paulo estavam sendo cancelados e o nosso, apesar do atraso, estava confirmado e o humor pelo início das férias estava tão alto que não afetou nossa disposição.
A conexão no Galeão foi de dar inveja a Usain Bolt. E isso quase 11 da noite, com duas meninas pra lá de sonolentas e um punhado de funcionários incompetentes a nos "auxiliar". Atravessamos o terminal inteiro correndo. Apesar da canseira, o avião que nos tiraria do país esperava apenas uma tal família Borges para fechar as portas e iniciar o procedimento de decolagem. Eu só conseguia pensar se o rapaz que tira e põe bagagens no avião conseguiria ser tão rápido quanto nós, transportando nossos pertences de uma aeronave para outra. Com ou sem malas, embarcamos, taxiamos e decolamos de novo.
Poderia resumir a noite voando por uma série de aspectos: a simplicidade de recursos do avião da TAM, comparado aos grandões das empresas americanas que fazem o mesmo trecho; o sono contínuo e profundo da Ana durante todo o voo; o sono entrecortado da Elis, mas sempre muito tranquila e dócil; o momento comédia no meio da madrugada, quando o casal aqui achou de cair na gargalhada com o travesseiro-cotonete; ou a comida servida, impressionantemente gostosa. Entretanto, troco tudo isso por uma única palavra, que resume toda a viagem: frio. Gostaria de conhecer o moderfóquer que disse que termômetro a 13ºC traduz-se numa viagem agradável. Minha garganta ainda reclama desse voo.
Em Miami (e sim, com as malas), a família Pagotto fez um esforço enorme como anfitriã e os Borges - outro grande esforço – pareceu estar à vontade. Ambas deixaram claro que não estavam muito confortáveis com os papéis, mas se empenharam bastante em desempenhá-lo bem. Só pelo banho e cochilo, a breve estada valeu a pena.
De volta ao aeroporto de Miami, apenas oito horas depois de sair de lá, mas antes de embarcar, fizemos de nossa primeira refeição americana – apesar de só falaram espanhol nesta cidade – uma refeição típica: pouco tempo, fast food. E Big Mac com nuggets são exatamente os mesmos em qualquer lugar do mundo. Garantido e sem surpresas.
Para Chicago, duas novidades: pela primeira vez voei de Embraer e a enorme duração de uma viagem doméstica. É certo que fizemos quase o Chuí-Oiapoque deles, mas ainda poderíamos ir muito ao oeste. Fiquei imaginando quantas horas a mais, além das 3 que voamos, duraria o voo Miami – Portland.
A dupla de comissários foi um caso à parte, que mereceria uma crônica só para eles. Por isso a breve homenagem no subtítulo. Nunca vi um sujeito assumir tão bem seu papel de pandola – mesmo calado – e, igualmente, nunca vi uma aeromoça tão, tão tosca. Dei boas risadas com ambos.
Para encerrar o dia e a novela da viagem, já no suntuosíssimo Sheraton Chicago Hotel & Towers, resolvi fazer uma refeição digna do luxo local e pedi o prato que deu título a esta crônica, esnobando da pizza escolhida pelas meninas. O resultado? Tive que roubar uma fatia da pizza delas, para largar de ser fresco e para de pedir gororoba só porque o cardápio está em inglês.
Gui Olivieri
10/09/2009
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03.05.11 20:03:48, 