Bola parada
De novo, sonhei que estava jogando bola; assunto recorrente desde que perdi uns ligamentos do tornozelo direito e estou proibido de fazê-lo ao vivo, por declaração escrita de 4 médicos diferentes – é bom uma segunda opinião em matéria tão séria. E terceira, e quarta.
Jogo de campeonato, em estádio, com juiz e bandeirinhas, jogadores uniformizados e torcida participante. Só em sonho mesmo.
Falta para meu time cobrar, na entrada da área. Apesar de ser do lado direito da área e eu destro, me apresentei.
O goleiro coloca 5 homens cobrindo seu lado esquerdo e posiciona-se do outro lado. Ficou bom pra mim.
Corro e a cobrança perfeita. Tiro a barreira, com muito efeito; o primeiro homem quase consegue a interceptação, mas não alcança. O goleiro pula, em vão.
Golaço, no ângulo. A torcida enlouquece, o time todo corre para me abraçar, mas estou triste:
- Para tudo, para tudo. Isto não é de verdade, é só um sonho! - A frustração dos meus companheiros não se compara à minha. – Impossível que isto seja real. Ao invés da bola, chutei uma beterraba.
Gui Olivieri
28/01/2012
Pedido de torcedor
Todo torcedor de futebol que se preze tem, no início do ano, 2 pedidos básicos: o título estadual e uma vaga para a Libertadores.
Antes de ir adiante, vamos nivelar entendimentos:
1) se você não tem time para pedir vaga na Libertadores, você pode até ser um torcedor que se preze, mas escolheu as cores erradas;
2) se você pretensamente acha que seu time, em janeiro, tem condições de ganhar o Brasileirão, espere o final do campeonato estadual, a queda de seu técnico e a saída dos melhores jogadores. Em abril, você quererá a vaga na Libertadores;
3) agora, se seu time não tem condições de lutar nem pelo título estadual, passe a assistir rúgbi.
Para 5 ou 6 agremiações, os pedidos podem ir um pouco além, caso a vaga na Copa Libertadores da América tenha sido conquistada no ano anterior: quero o título intercontinental! (Corinthianos talvez peçam isso mais que outros torcedores, mas a vontade de se auto-proclamar a melhor equipe da América do Sul é geral).
Como meu Flamengo tem, nos últimos anos, conseguido frequentemente a vaga no torneio sulamericano, seria de se esperar que eu quisesse o título – como nas edições anteriores recentes. Neste ano, não.
Ontem, ao acordar, pedi ao Papai do Céu: “quero uma eliminação digna, na fase de grupos”.
A eliminação na fase de grupos tem suas boas vantagens:
- se ela acontece com dignidade, com bons pontos conquistados em casa e, de preferência, com roubo do juiz para o adversário nos jogos fora, evita-se maior gozação dos torcedores de outras equipes (que, quase sempre, não participam do mesmo campeonato e regozijam-se apenas com sua derrota);
- perco o interesse no campeonato mais cedo, ganhando as noites de quarta para outros afazeres e mais atenção à família;
- evita a angústia e aflição de uma fase de mata-mata com suas famigeradas disputas de pênaltis;
- ganha-se tempo na preparação do time para o campeonato Brasileiro;
- o técnico deixa-que-eu-resolvo tem boas chances de ser mandado embora;
- o medalhão-que-só-quer-saber-de-farra se irrita e pede para mudar de clube.
Há os eternamente iludidos, também torcedores rubro-negros, que hão de me esconjurar, julgando meu pedido pessimista ou derrotista. A estes, o meu cético e calejado “aguardem”.
Entretanto, neste ano o Flamengo me fez o favor de cair na fase “pré-Libertadores”, que implica em uma mata-mata único, com um time de menor expressão: desta vez, o boliviano Real Potosí. Só passando desta etapa, cairemos na fase de grupos.
“Peraí, meu Deus, cair na pré-Libertadores não!”
Gui Olivieri
26/01/2012
Eu sou homem!
Não sei quem foi que definiu esses papéis históricos para homens e mulheres, mas, definitivamente, eu ando precisando de um pouco de auto-afirmação.
É bem verdade que ontem exerci dois, clássicos:
1) fui requisitado a destarrachar a tampa de uma embalagem de leite – que, cá entre nós, tinha cola entranhada na alma e gastei bons minutos e 2 camadas de pele do dedão e indicador, mas abri-a, com um breve resquício de dignidade;
2) desempenhei algumas tarefas típicas de um bombeiro hidráulico. Inútil dizer que não resolvi o problema, depois de mais de uma hora de pé em cima da pia da cozinha, metade da casa inundada e suja e a quina do armário devidamente estampada em meu couro cabeludo. Busquei alguns adjetivos que me definissem, após essa epopéia, mas basta dizer que eu não era o sujeito mais feliz do mundo.
Estes dois exemplos já me denunciariam o suficiente, mas não há nada que não possa piorar. Hoje, saindo da academia, fui requisitado por uma senhorita a fazer uma chupeta (sem maldades, crianças), porque o carro dela havia arriado a bateria.
Eu, quase um lorde inglês, prontamente atendi a seu pedido e posicionei meu possante de forma a atender sua solicitação. Ela, prevenida que só, sacou o cabo do seu porta-malas para executar a função.
Aí começou meu suplício. Gastei bem uns 2 minutos para achar a alavanca de abertura da tampa do capô. O carro não é mais tão novo assim, mas nunca tinha precisado disso; mesmo porquê, toda manutenção, revisão ou assistência mínima nos carros da empresa são tarefa de um funcionário. E nunca tive curiosidade de ver o motor do carro.
Tentei disfarçar minha pequena vitória pelo motor agora exposto, quando fui solenemente desmascarado pela moçoila. Onde, diabos, fica a bateria deste carro?
Ela não conteve o riso, me afastou sem cerimônia e fez todo o serviço, solicitando minha intervenção apenas no que eu seria indispensável.
Seria apenas uma situação que arranharia o ego, não fosse o efeito colateral. No processo de abertura do capô, tirei o volante do lugar e não consigo ajeitá-lo, de forma que ele pressiona minhas coxas quando me sento para dirigir.
Benhê, me ajuda aqui!
Gui Olivieri
30/01/2008


31.01.12 10:32:40, 