Pedido de torcedor

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Todo torcedor de futebol que se preze tem, no início do ano, 2 pedidos básicos: o título estadual e uma vaga para a Libertadores.
Antes de ir adiante, vamos nivelar entendimentos:
1) se você não tem time para pedir vaga na Libertadores, você pode até ser um torcedor que se preze, mas escolheu as cores erradas;
2) se você pretensamente acha que seu time, em janeiro, tem condições de ganhar o Brasileirão, espere o final do campeonato estadual, a queda de seu técnico e a saída dos melhores jogadores. Em abril, você quererá a vaga na Libertadores;
3) agora, se seu time não tem condições de lutar nem pelo título estadual, passe a assistir rúgbi.
Para 5 ou 6 agremiações, os pedidos podem ir um pouco além, caso a vaga na Copa Libertadores da América tenha sido conquistada no ano anterior: quero o título intercontinental! (Corinthianos talvez peçam isso mais que outros torcedores, mas a vontade de se auto-proclamar a melhor equipe da América do Sul é geral).
Como meu Flamengo tem, nos últimos anos, conseguido frequentemente a vaga no torneio sulamericano, seria de se esperar que eu quisesse o título – como nas edições anteriores recentes. Neste ano, não.
Ontem, ao acordar, pedi ao Papai do Céu: “quero uma eliminação digna, na fase de grupos”.
A eliminação na fase de grupos tem suas boas vantagens:
- se ela acontece com dignidade, com bons pontos conquistados em casa e, de preferência, com roubo do juiz para o adversário nos jogos fora, evita-se maior gozação dos torcedores de outras equipes (que, quase sempre, não participam do mesmo campeonato e regozijam-se apenas com sua derrota);
- perco o interesse no campeonato mais cedo, ganhando as noites de quarta para outros afazeres e mais atenção à família;
- evita a angústia e aflição de uma fase de mata-mata com suas famigeradas disputas de pênaltis;
- ganha-se tempo na preparação do time para o campeonato Brasileiro;
- o técnico deixa-que-eu-resolvo tem boas chances de ser mandado embora;
- o medalhão-que-só-quer-saber-de-farra se irrita e pede para mudar de clube.
Há os eternamente iludidos, também torcedores rubro-negros, que hão de me esconjurar, julgando meu pedido pessimista ou derrotista. A estes, o meu cético e calejado “aguardem”.
Entretanto, neste ano o Flamengo me fez o favor de cair na fase “pré-Libertadores”, que implica em uma mata-mata único, com um time de menor expressão: desta vez, o boliviano Real Potosí. Só passando desta etapa, cairemos na fase de grupos.
“Peraí, meu Deus, cair na pré-Libertadores não!”

Gui Olivieri
26/01/2012

Eu sou homem!

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Não sei quem foi que definiu esses papéis históricos para homens e mulheres, mas, definitivamente, eu ando precisando de um pouco de auto-afirmação.
É bem verdade que ontem exerci dois, clássicos:
1) fui requisitado a destarrachar a tampa de uma embalagem de leite – que, cá entre nós, tinha cola entranhada na alma e gastei bons minutos e 2 camadas de pele do dedão e indicador, mas abri-a, com um breve resquício de dignidade;
2) desempenhei algumas tarefas típicas de um bombeiro hidráulico. Inútil dizer que não resolvi o problema, depois de mais de uma hora de pé em cima da pia da cozinha, metade da casa inundada e suja e a quina do armário devidamente estampada em meu couro cabeludo. Busquei alguns adjetivos que me definissem, após essa epopéia, mas basta dizer que eu não era o sujeito mais feliz do mundo.
Estes dois exemplos já me denunciariam o suficiente, mas não há nada que não possa piorar. Hoje, saindo da academia, fui requisitado por uma senhorita a fazer uma chupeta (sem maldades, crianças), porque o carro dela havia arriado a bateria.
Eu, quase um lorde inglês, prontamente atendi a seu pedido e posicionei meu possante de forma a atender sua solicitação. Ela, prevenida que só, sacou o cabo do seu porta-malas para executar a função.
Aí começou meu suplício. Gastei bem uns 2 minutos para achar a alavanca de abertura da tampa do capô. O carro não é mais tão novo assim, mas nunca tinha precisado disso; mesmo porquê, toda manutenção, revisão ou assistência mínima nos carros da empresa são tarefa de um funcionário. E nunca tive curiosidade de ver o motor do carro.
Tentei disfarçar minha pequena vitória pelo motor agora exposto, quando fui solenemente desmascarado pela moçoila. Onde, diabos, fica a bateria deste carro?
Ela não conteve o riso, me afastou sem cerimônia e fez todo o serviço, solicitando minha intervenção apenas no que eu seria indispensável.
Seria apenas uma situação que arranharia o ego, não fosse o efeito colateral. No processo de abertura do capô, tirei o volante do lugar e não consigo ajeitá-lo, de forma que ele pressiona minhas coxas quando me sento para dirigir.
Benhê, me ajuda aqui!

Gui Olivieri
30/01/2008

Queratina na quina

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Acabei de cortar as unhas dos pés, num ritual que faço - sei lá! - uma vez por mês. A Barsa dos tempos modernos, Google, acaba de me dizer que as unhas das mãos crescem 3 vezes mais rápido que as dos pés, informação que só será útil se você for viciado no jogo Master.
Será que existe característica mais marcante de uma longínqua evolução de espécie que unhas nos pés dos humanos? Nas mãos, vá lá, ainda há alguma utilidade, seja para espremer um cravo, coçar o ouvido ou para achar a ponta do rolo de durex. Nos pés são tão inúteis quanto encraváveis.
O que antes eram garras nos pés, para agarrar-se ao terreno ou cravar na pele do inimigo hoje serve apenas para me proteger minimamente num embate, que sempre perco, do meu dedinho contra a base do sofá.

Gui Olivieri
15/11/2011

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